Natasha Stokes

Postado em 12 de January de 2016

De comida à movimentação de pessoas, a entrega on-demand está crescendo cada vez mais. Serviços como Instacart e Uber estão impulsionando a expansão deste mercado, no qual as pessoas utilizam computadores e, principalmente, dispositivos móveis para fazer pedidos de bens e serviços instantâneos a partir de comerciantes off-line.

Mas, à medida em que a economia on-demand continua sua trajetória para um mercado com previsão de alcançar trilhões de dólares, vale lembrar que a primeira geração de serviços de entrega sob demanda falhou. Mas, será que estamos vendo o mesmo filme? Eu diria que não, pois há uma grande diferença entre os pioneiros da entrega que existiam no fim dos anos 90, e os ‘Ubers’ de hoje em dia: informação.

Graças à proliferação de smartphones e do acesso móvel à internet cada vez mais rápido e barato, hoje em dia existem mais dados do que nunca – não só sobre o que os clientes estão comprando, mas do momento em que precisam de determinado produto ou serviço e, informações logísticas que ajudam os comerciantes a chegarem cada vez mais rápido à porta da casa desses clientes.

Quando, onde e o que

O Instacart, um aplicativo de entrega de compras baseado nos EUA, conecta clientes e compradores que coletam e entregam a lista de compras deles a partir das principais varejistas, como Target, Whole Foods e Costco. Já o JustEat, um dos investidores do iFood, é parceiro de mais de 59.000 restaurantes em todo o mundo.

Para ambos os serviços, smartphones compatíveis com GPS levados por cada entregador possibilitam que essas empresas chequem o paradeiro de seus produtos e permitem que os clientes acompanhem seus pedidos. Além disso, a compra online também possibilita que as companhias criem perfis de seus clientes, mapeando o que eles compram e com que frequência o fazem, e otimizando suas ofertas.

Tal coleta de dados, como localização, histórico de compras e comentários dos clientes cria um poderoso motor que permite que empresas de entrega da próxima geração, como a Postmates, nos EUA, e a Rapiddo, no Brasil, supram as necessidades de seus clientes de maneira rápida e eficiente.

Como explorar os dados?

Para alguns aplicativos on-demand, a utilização de informação para aperfeiçoar seus serviços pode significar sucesso considerável sobre seus principais competidores. O Uber e seu concorrente Lyft, ambos baseados nos EUA, por exemplo, estão obtendo vantagem sobre os competidores tradicionais, como as empresas de táxi utilizando informações. Recentemente o Uber fez um investimento em dados comprando a tecnologia de mapeamento da Microsoft. A jogada permitirá que a empresa construa seu próprio serviço de mapeamento, o que melhorará seu algoritmo e fará uma previsão mais acertiva da oferta e demanda de viagens, horários de coleta e melhores rotas de viagem.

Mas o que faz mesmo os aplicativos do segmento ganharem clientes é a velocidade. As pessoas nem sempre precisam receber suas compras imediatamente, mas elas querem saber em que horário devem estar em casa quando pedem bens perecíveis, por exemplo.

Ter acesso a dados sobre o comportamento do consumidor não é útil apenas para prever compras futuras, mas também para acelerar os cronogramas de entrega e diminuir os custos de correio. Em 2013, o iFood teve sua taxa de pedidos através de smartphones e tablets aumentada de 7% para 70% após receber sua primeira rodada de investimento do Grupo Movile, líder em comércio para plataformas móveis na América Latina. No ano seguinte, a quantidade de pedidos feitos através do aplicativo passou de 100.000 para 450.000 e, hoje, o iFood entrega, eficientemente, cerca de 1 milhão de pedidos por mês. Os bons resultados se dão porque o iFood avalia diversas informações compartilhadas por seus usuários em seu banco de dados.

Em tempo real

Todo esse estudo de dados não seria possível antes da computação em nuvem, que possibilita que um terço das empresas hospede servidores remotos capazes de processar as quantidades massivas de dados necessários para responder aos clientes em tempo real.

Por exemplo, a Instacart não precisa apenas acompanhar os pedidos dos clientes e a localização de um entregador; ela também precisa observar a disponibilidade de estoque em todas as lojas que agrega. A BetaBoston reporta que a Instacart utiliza servidores de nuvem operados pela Amazon para acompanhar o estoque das lojas e atualizar o que seus clientes podem comprar em tempo real. Assim, sempre que um comprador da Instacart risca um item da lista de compras de um cliente, esse item é removido da lista de estoque disponível da loja.

A quantidade de poder de processamento que essas atualizações em tempo real exigiriam seria uma grande despesa se a Instacart tivesse de hospedar esses dados em seu próprio servidor, mas fazer isso é muito mais barato na era da computação em nuvem, quando servidores podem ser alugados.

Além disso, os aplicativos de entrega on-demand eliminam muitos dos custos de uma empresa de entrega tradicional. Eles não têm custos grandes para atualizar o estoque (ou manter milhões de bits de dados) e eles utilizam trabalhadores contratuais que muitas vezes utilizam seus próprios veículos.

O futuro da economia sob demanda

De acordo com um relatório da CBS Insights, o investimento em aplicativos sob demanda alcançou 9,4 bilhões de dólares desde 2010, aumentando em 514% de ano a ano. Espera-se que nos próximos anos o investimento previsto para aplicativos on-demand duplique em comparação com 2014.

Existe muito dinheiro onde aplicativos on-demand podem construir seus impérios – e à medida que mais regiões do mundo ficam online, existe uma crescente base de usuários de clientes conectados que podem fornecer os dados sobre quanto e onde – e até mesmo por que – fazem suas compras.

Para algumas empresas de entrega sob demanda, a automação quase que total será a meta futura. Isso poderia incluir a utilização dos dados sobre o comportamento de compra dos clientes para enviar lembretes de compras e prever pedidos futuros, utilização de dados sobre tráfego e comportamento de compra com relação a eventos importantes (por exemplo, o Super Bowl ou as Olimpíadas de 2016) para alocar turnos de entregadores ou utilizar essas informações para prever de modo preciso os horários de entrega levando o tráfego local em consideração, como o Uber está tentando fazer atualmente.

Os serviços on-demand mais bem-sucedidos explorarão os dados de modo habilidoso e deverão utilizá-los para criar um motor poderoso para atender as necessidades dos clientes de modo melhor e mais rápido do que nunca.