Natasha Stokes

Postado em 15 de December de 2015

Smartphones e tablets estão revolucionando a forma como os latino-americanos se comunicam, fazem compras e negócios. A utilização de smartphones, e consequentemente, de aplicativos móveis, aumentou consideravelmente na região e os números tendem a continuar crescendo com taxas ainda mais rápidas no Brasil, México e Colômbia – pelo menos nos próximos três anos.

Isso cria um grande potencial para desenvolvedores de aplicativos a fim de alcançarem uma população bem conectada e algumas das maiores taxas de envolvimento com aparelhos móveis do mundo.

Os principais aplicativos

Enquanto um estudo sobre os usuários de smartphones dos EUA revelou que as pessoas passam 84% do seu tempo em apenas cinco aplicativos – maior parte desse tempo é destinada a aplicativos como Facebook, Google e aplicativos empresariais –, as redes sociais, os jogos e os aplicativos de troca de mensagem ocupam os primeiros lugares nas lojas de aplicativos do iOS e Android na América Latina.

Um recente estudo da comScore constatou que um latino-americano tinha, em média, 18 aplicativos em seu telefone, com 75% dos proprietários de smartphones utilizando o Twitter, Foursquare, LinkedIn, Waze, iAd, Spotify ou Crackle.

Cerca de 60% dos usuários de dispositivos móveis disseram que o Twitter, LinkdIn, Spotify e o aplicativo de navegação Waze eram muito importantes em suas vidas diárias. Em outras palavras, os latino-americanos precisam de aplicativos de smartphone para muitos aspectos de sua existência, do transporte ao entretenimento e utilização de redes sociais.

No Brasil, o WhatsApp é o aplicativo gratuito mais baixado no Android. Quase 70% de todos os smartphones do país têm o WhatsApp instalado. Isso levou muitos negócios a adotarem o aplicativo de troca de mensagens para conduzir campanhas de RP, se conectarem com clientes e se comunicarem com colegas. O aumento nos aplicativos de troca de mensagem se deve, provavelmente, às altas taxas cobradas pelas operadoras locais para enviar mensagens SMS, já que as mensagens trocadas pelo WhatsApp são gratuitas e podem ser transferidas por Wi-Fi ou internet móvel.

O aplicativo também se espalhou para demografias mais jovens e crianças estão utilizando dispositivos móveis em casa ou na escola e aplicativos destinados aos pequenos ganham cada vez mais popularidade. Hoje, quatro de cinco crianças brasileiras entre as idades de 9 e 17 anos têm um perfil em redes sociais. Em 2013, uma pesquisa mostrou que quase metade das crianças com idades entre 10 e 14 anos e mais de 75% dos adolescentes entre 15 e 17 anos de idade tinham smartphones. No brasil, o aplicativo gratuito mais popular para crianças é o PlayKids da desenvolvedora Movile, que oferece conteúdo baseado em personagens de vídeo games e atrações de TV locais, como também atividades educacionais e canções de ninar. A marca também criou o PlayKids Talk, ferramenta de bate-papo instantâneo considerada pela Apple um dos melhores aplicativos para crianças de 2015.

Além disso, os latino-americanos também favorecem os aplicativos de aprendizado de linguagem. Apps digitais de aprendizado de inglês estão liderando o caminho, com uma receita estimada em 260,9 milhões de dólares até 2018 – quase o dobro dos 136 milhões de dólares que esse setor alcançou em 2013.

O crescimento de aplicativos sob demanda

Os aplicativos sob demanda também estão ganhando terreno na américa latina. A startup brasileira de entrega de refeições iFood é apenas um dos setores que crescem e permitem que os usuários de smartphones comprem itens online instantaneamente para entrega pessoal. Apesar de a startup registrar um enorme crescimento desde sua criação, em 2013, saltando de 100 mil para 1 milhão de pedidos por mês, o número representa apenas 4% de volume potencial do mercado.

Com a forte cultura brasileira de entrega local no mesmo dia da compra, em conjunto com uma população tecnologicamente educada, espera-se que os aplicativos sob demanda cresçam em popularidade. Serviços como o Rapiddo, que entrega documentos, ingressos, compras e outros pedidos no mesmo dia, principalmente via motoboys, têm crescido consideravelmente no país.

Além disso, as vendas de compras online atualmente equivalem a 1% do total das vendas, mas espera-se que o número chegue a 20% até o fim de 2015, em sincronia com as vendas de e-commerce. Com o mercado de compras online latino-americano representando uma oportunidade de 286 bilhões de dólares – ainda não explorada completamente, de acordo com a empresa de capital de risco ALLVP -, esse não é um ganho pequeno.

O pagamento móvel pode decolar primeiro no Brasil

Esse ano, espera-se que a adoção de smartphones no Brasil cresça 21,5%, chegando a 48,6 milhões de usuários, com uma previsão de crescimento de dois dígitos pelos próximos cinco anos e projeção de 219,9 milhões de smartphones no país até 2018.

Esse avanço pode ser atribuído à disponibilidade crescente de dispositivos Android de baixo custo, implantação de internet 4G e à disposição dos brasileiros a adotarem tais tecnologias. De acordo com a Pesquisa Global de Pagamentos Móveis McKinsey (McKinsey Global Mobile Payments Survey), o mercado latino-americano emergente possui maior entusiasmo para novas tecnologias móveis, tal como pagamentos móveis em pontos de venda, em comparação com os EUA e o Reino Unido.

O público está rapidamente se acostumando a transações em dispositivos móveis e os terminais de pagamento móvel e software das atuantes locais Oi Paggo e Mopay, por exemplo, já permitem que os usuários efetuem pagamentos via telefone em pontos de venda.

Apesar de o m-commerce compor apenas 7% do setor de e-commerce atualmente, pesquisas recentes preveem que até 2018 o número de usuários de pagamentos móveis no Brasil chegará a 80 milhões. Isso oferece muitas oportunidades para varejistas, empresas de cartão de crédito e desenvolvedores de software para investirem na segurança e na infraestrutura de pagamento corretas.

Explorando o mercado latino-americano

Os profissionais de marketing que desejam alcançar os latino-americanos devem ter um foco inicial nos dispositivos móveis por todas as suas plataformas, especialmente dada a previsão de que o tráfego de internet de dispositivos móveis superará o tráfego da internet banda larga até 2018. Os mercados emergentes têm a oportunidade de avançar a infraestrutura e legislação existentes para implementar tecnologias novas e revolucionárias como pagamentos no ponto de venda. Com a experiência brasileira na internet e o padrão para a adoção tecnológica precoce, é possível que inovadores aplicativos para smartphone podem decolar mais rapidamente na américa-latina do que em outros países.

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